Visão BBVA Asset Management
01 de Abril de 2026
3 min de leitura
Insights · Portugal · Abril 2026
CENÁRIO GERAL
- Os principais índices acionistas encerraram o mês de março com um desempenho negativo, pressionados pelo conflito no Médio Oriente. As fortes subidas dos preços do petróleo e do gás têm reforçado os receios de uma nova vaga inflacionista, o que poderá condicionar a política monetária dos bancos centrais e, consequentemente, colocar em causa o desempenho do ciclo económico global.
- Em termos macroeconómicos, nos EUA, a Fed manteve a taxa de juro diretora inalterada, em linha com o esperado, enquanto se antecipa um ritmo de crescimento razoável dos resultados empresariais na temporada que se avizinha, apoiado por tendências como o investimento em inteligência artificial. Na Europa, num contexto de preços da energia mais elevados, o BCE também manteve as taxas, sinalizando abertura para ajustá-las a qualquer momento, se necessário. A atividade empresarial abrandou em março, com o PMI Composto da Zona Euro a cair para 50,5 (51,9 em fevereiro)
COMO VEMOS OS MERCADOS?
- Março foi um mês negativo para os ativos de risco, com o sentimento dos mercados globais penalizado pelas preocupações com o impacto da guerra no Médio Oriente nos preços da energia e na inflação. As correções foram mais acentuadas na Europa e na Ásia, regiões mais dependentes de importações de petróleo e gás do que os EUA.
- Neste contexto, adotamos uma posição tática neutral para ativos de risco, fruto da escalada do conflito entre os EUA/Israel e o Irão, a par da volatilidade macroeconómica e das valorizações exigentes


- O mês de março foi marcado pela situação política no Médio Oriente, que penalizou os setores mais cíclicos e beneficiou os setores mais ligados à energia. Por outro lado, a evolução das dinâmicas da IA tem ditado comportamentos distintos dentro do setor tecnológico, destacando-se a forte desvalorização das empresas associadas a aplicações de software.
- Para abril, apesar de continuarmos construtivos a médio prazo nesta classe de ativos, adotamos uma posição de maior neutralidade face aos elevados níveis de incerteza inerentes ao atual conflito


- As expectativas de retorno real e nominal nos mercados de dívida pública dos países desenvolvidos são positivas, ainda que o atual contexto de uma possível subida da inflação tenha retirado algum atrativo a esta classe de ativos.
- Os spreads de crédito continuam a transacionar a níveis relativamente estreitos, nomeadamente nos EUA, no segmento de high yield. Continuamos a preferir títulos com notação investment grade, dada a sua atratividade em termos de rentabilidade ajustada ao risco.


- Em abril, adotamos uma posição mais neutral quanto à evolução do euro face ao dólar, uma vez que este último reflete, de alguma forma, o seu estatuto de ativo de refúgio no atual contexto


- Mantemos uma posição construtiva em abril, fruto das novas dinâmicas de investimento em infraestruturas e defesa a nível global, que favorecem a procura por metais industriais. No mercado petrolífero, julgamos que, a prazo, as dinâmicas da oferta irão acabar por estabilizar. No entanto, é natural que o mercado passe a incorporar um prémio geopolítico superior ao anteriormente existente.
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