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Visão BBVA Asset Management

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01 de Junho de 2026

Insights · Portugal · Junho 2026

CENÁRIO GERAL

  • Os principais índices acionistas encerraram o mês de maio com fortes avanços, apoiados pela resiliência dos resultados empresariais e pelo impulso da inteligência artificial (IA). Contudo, o crescimento continua concentrado em poucos setores e os riscos geopolíticos decorrentes do conflito no Médio Oriente permanecem pouco refletidos nos preços. O contexto macroeconómico deteriorou-se ligeiramente, com sinais de desaceleração do crescimento global e maior pressão inflacionista, impulsionada sobretudo pelos preços da energia.
  • Em termos macroeconómicos, nos EUA, a Fed manteve a taxa de juro diretora inalterada, mas com a inflação a surpreender em alta, poderá manter uma postura restritiva durante mais tempo. Na Europa, num contexto de preços da energia mais elevados, o BCE também manteve as taxas de juro inalteradas, embora tenha sinalizado a possibilidade de um novo aumento na próxima reunião. Paralelamente, as negociações entre os EUA e o Irão continuaram a revelar-se complexas.

COMO VEMOS OS MERCADOS?

  • Maio foi um mês de fortes valorizações para os ativos de risco, com ganhos mais expressivos a registarem-se nos EUA e na Ásia Emergente, regiões mais expostas ao ciclo de investimento em IA. Em contraste, na Europa, mais dependente das importações de petróleo e gás, a evolução foi mais débil. Por setores, destaque para o setor de tecnologia que subiu cerca de 16%, em termos globais.
  • A nossa posição tática construtiva para ativos de risco está a perder suporte e é possível que a passemos para neutral brevemente. A persistência de elevados preços da energia e de condições financeiras mais restritivas começam a pressionar a inflação e a atividade económica.

MERCADO ACIONISTA

  • Em maio, o catalisador continuou a ser a situação política no Médio Oriente. As semanas de ganhos foram suportadas pelo ciclo de investimento em IA e fortes lucros das empresas ligadas a este setor. Continuamos a preferir Europa e Mercados Emergentes, pelas suas valorizações menos exigentes, ainda que tenha havido uma perda de valor relativo.
  • Para junho, adotamos uma posição tática construtiva para ativos de risco, contudo, iremos continuar a monitorizar de perto a situação geopolítica, tendo presente também que o mercado se encontra mais seletivo e marcado por maiores assimetrias entre setores.

MERCADO OBRIGACIONISTA: Governos e crédito

  • As expectativas de retorno real e nominal nos mercados de dívida pública dos países desenvolvidos são positivas, ainda que o atual contexto de uma subida da inflação tenha retirado algum atrativo a esta classe de ativos.
  • Os spreads de crédito continuam a transacionar a níveis relativamente estreitos, nomeadamente nos EUA, no segmento de high yield. Continuamos a preferir títulos com notação investment grade, dada a sua atratividade em termos de rentabilidade ajustada ao risco.

DIVISAS

  • Em junho, mantemos taticamente uma posição construtiva quanto à evolução do dólar face ao euro, uma vez que este último reflete, de alguma forma, o seu estatuto de ativo de refúgio no atual contexto geopolítico. No entanto, de um ponto de vista mais estrutural, continuamos com uma visão negativa sobre a divisa norte-americana

MATÉRIAS-PRIMAS

  • Mantemos uma posição construtiva em junho, fruto das novas dinâmicas de investimento em infraestruturas e defesa a nível global, que favorecem a procura por metais industriais. No mercado petrolífero, julgamos que, a prazo, as dinâmicas da oferta irão acabar por estabilizar. No entanto, é natural que o mercado passe a incorporar um prémio geopolítico superior ao anteriormente existente.

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